segunda-feira, 6 de outubro de 2008

COSTINHA E O KING MONG (1977)

E ainda tem gente que não acredita... Olha aí ao lado um xerox do cartaz original dessa pérola dirigida por Alcino Diniz. Na trama, o Rei da Selva (Costinha) é aprisionado pelos terríveis homens-leopardo e tem de escolher: casa-se com a rainha deles (Wilza Carla) ou será entregue em sacrifício ao deus-macaco de 15 metros de altura King Mong (quem teria sido o bravo ator debaixo da felpuda fantasia de gorila naquele calor tipicamente carioca?).

Costinha foi um comediante muito popular nos anos 70, com cara de velho safado e um enorme repertório de piadas sujas - ou, como se dizia à época, de baixo calão. Embora tenha sido uma vedete lindíssima, Wilza Carla será para sempre lembrada por sua fase gorducha, quando encarnava a gorda com a libido exacerbada em programas televisivos e pornochanchadas. Hoje, ela desempenha um papel bem mais triste: o da ex-atriz que volta-e-meia aparece em programas como o da Luciana Gimenez, magra e decrépita, implorando que lhe dêem uma chance de voltar à ativa. O elenco conta ainda com Ferrugem (comediante com uma deficiência que dificultava o seu crescimento mas lhe facilitava viver o garoto safadinho em programas humorísticos), Roberto Guilherme (o eterno Sargento Pincel de OS TRAPALHÕES), Canarinho (habitué de A PRAÇA É NOSSA desde tempos imemoriais) e Nídia de Paula (diva das pornochanchadas de então, aqui no papel de Jane).

O surpreendente em COSTINHA E O KING MONG é o fato de se tratar de um filme de censura livre, inclusive lançado em julho, para aproveitas as férias escolares. Havia duas forças em ação para gerar uma obra dessas: o KING KONG produzido em Hollywood por Dino De Laurentiis e o enorme sucesso no Brasil dos filmes dos Trapalhões. Alcino Diniz e Costinha aproveitaram a gigantesca campanha publicitária da superprodução hollywoodiana para lançar simultaneamente sua paródia terceiro-mundista. A referência eram Renato Aragão e cia., que vinham batendo recordes de bilheteria parodiando contos de fada, heróis da literatura, filmes e seriados estrangeiros - O TRAPALHÃO NO PLANALTO DOS MACACOS (1976), por exemplo. A moda era levar comediantes da TV para o cinema, em busca do público infantil. Calcados nessa fórmula, foram produzidos COSTINHA, O REI DA SELVA (1976), COSTINHA E O KING MONG (1977), O HOMEM DE SEIS MILHÕES DE CRUZEIROS CONTRA AS PANTERAS (1978) e AS AVENTURAS DE ROBINSON CRUSOÉ (1979) - os quatro estrelados por Costinha, todos com censura livre.

O humor de COSTINHA E O KING MONG é simplório, com o herói reclamando do congestionamento de cipós ou dizendo que Wilza Carla está mais para elefante do que para rainha dos homens-leopardo (nos anos 1970, "politicamente" e "correto" eram palavras que não andavam tão juntas como hoje em dia). O que de mais encantador restou ao filme reside naquilo que parecia ser seu ponto fraco na época do lançamento: os efeitos especiais mal-feitos. Como não rir do sofá em forma de mão, revestido de lona preta, que faz as vezes de mão do King Mong? Ou da sempre imóvel máscara do gorila? Ou da miniatura do Cristo Redentor que Mong escala? Tem seu encanto, como assistir a uma peça de Shakespeare encenada no picadeiro de um circo mambembe.

P.S. 1: Não confunda COSTINHA E O KING MONG (1977), de Alcino Diniz, com KING KONG (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, KING KONG (1976), de John Guillermin, ou KING KONG (2005), de Peter Jackson

P.S. 2: Se alguém aí tiver uma cópia de O HOMEM DE SEIS MILHÕES DE CRUZEIROS CONTRA AS PANTERAS para vender, pago até seis milhões de cruzeiros novos por ela.

31 comentários:

rato de cinemateca disse...

MALDITOS FILMES BRASILEIROS!

Heraclito disse...

Caramba, finalmente o Rodrigo resolveu fazer um blog!!! A proposta é ótima, vou tentar lembrar de algum filme que "só eu vi". Abração!

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Salve, Rato de Cinemateca. Pois é, MALDITOS FILMES BRASILEIROS!!!!!! Calhou de o primeiro post ser sobre um filme brazuca, mas não vai ser regra, não - embora o cinema nacional "crássico" sempre esteja presente por aqui. Herax, bem-vindo. A idéia de FILMES QUE SÓ EU VI é uma brincadeira com a pretensa idéia da crítica brasileira de que é possível fazer uma leitura única e totalizante de um filme. No meu entender, todo e qualquer filme é um filme que só vc viu, porque o entendimento dele se dá dentro da sua cabeça, e não fora dela (ao contrário de uma equação matemática, em que o resultado correto é sempre o mesmo). Qdo vejo toda a crítica nacional tecendo loas a SPEED RACER, me sinto à vontade para tratá-lo como um filme que só eu vi, porque o vi de um jeito diferente. E creio que é sempre assim, vale para todos, quer sejam críticos, quer não sejam. Então, além de raridades, teremos blockbuster e filmes de arte analisados por aqui, também. Stay tuned.

Maria Izabel disse...

Adorei esse primeiro texto, Rodrigo. Espero que sua agenda permita que você acompanhe de perto à Mostra de SP... Com tempo para colocar os comentários também por aqui. Bjo,

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Oi, Maria Izabel. Pois é, acompanhar a Mostra e postar comentários diários seria um sonho. Na prática, conseguirei ver só alguns filmes. Os mais exóticos, provavelmente. Obrigado pela visita e venha sempre.

Takeo Maruyama disse...

Cara, adoro textos sobre filmes obscuros, raros, bizarros, toscos, injustiçados e tudo o mais. Esse texto sobre esse filme do Costinha é sensacional! Que continue assim! Já está adicionado aos links do ASIAN FURY!

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Oi, Takeo. Se vc gosta de "filmes obscuros, raros, bizarros, toscos, injustiçados e tudo o mais", então veio ao lugar certo. Visitei teu blog, tá adicionado aqui também.

Marcelo V. disse...

Não esqueço do Costinha em "Histórias Que Nossas Babás Não Contavam..." dizendo a Adele Fátima (que o atrapalhou durante uma caçada): "Tu me fizeste perder um viado!".

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Marcelo V, Costinha era o cara. Inequivocadamente engraçado. Só tenho minhas dúvidas se o lugar certo para ele seria o cinema. Acho-o uma criatura televisiva por excelência. Saia-se melhor em filmes quando a participação dele era curta, caso do HISTÓRIAS QUE NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM. Aliás, devo comentar esse filme por aqui no futuro. Obrigado pela visita,

Wendell Borges disse...

se achar este filme do costinha na internet ou onde quer que seja não esqueça de me avisar.

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Oi, Wendell. Pode ficar sossegado, que no dia em que eu conseguir uma cópia de COSTINHA E O KING MONG, avisarei a todos os leitores do blog. Só não tenho muita esperança de conseguir. Mas nunca se sabe...

marcelo disse...

Eu vi esta "maravilha" no cinema em 77 (e estava realmente sózinho). Muito bom o seu blog, eu não sabia que o Costinha tinha feito 4 filmes, pensei que este era o único. Eu conheci o Costinha pessoalmente num teatro em Niterói e assisti a 2 shows dele. O cara era super engraçado. Não conheço pessoalmente NINGUÉM que tenha assistido a este filme. parabéns pelo blog.

Giorgio Cappelli disse...

Eu assisti "Costinha e o King Mong" no cinema quando criança (tinha 12 anos em 1977) e achei infantil. Mal lembro da história. Duas cenas me marcaram: O Theobaldo e o Sargento Pincel, dois vilões gordinhos atrapalhados, que estapeavam as mãos um no outro quando brigavam, e o King Mong sendo levado de helicóptero com efeitos especiais de fazer o Chaves parecer produção da ILM. Fui com meu pai, que dormiu solenemente.
Abraços,

Giorgio Cappelli

marcelo disse...

Descobri mais um filme do Costinha, assisti há uns 15 dias na TVE no Rio de Janeiro. o nome é "carnaval barra limpa". Tem a participação do Carlos Eduardo Dolabella, é em Preto e branco e deve ser dos anos 60 devido aos detalhes e a idade dos atores. é uma chanchada. Gostaria de mais informações do tipo ano, diretor, elenco, etc.

marcelo disse...

Descobri a ficha técnica do "Carnaval barra limpa"
Ano: 1967
Diretor J. B. Tanko
Elenco: Dircinha Batista, Emilinha Borba, Chacrinha, Costinha, João Dias, Carlos Eduardo Dolabella, Altemar Dutra, Orlando Dias, Waldir Fiori, Rossana Ghessa.

leo fernando disse...

Achei em minha coleção de vhs (antigos) um filme com o costinha, cujo título é "As aventuras de Robinson Crusoé" não sei precisar o ano. O filme foi dirigido por Mozael Siveira, e no alenco alem do costinha estão, Grande Otelo, Francisco Di Franco e Milton Vilar.

sergiomanchester disse...

Eu também assisti! Lembra da cena em que o Costinha abre uma fruta-pão e tira um pão doce de dentro dela?

roberto disse...

Pena que vc não comentou a atuação minha e do falecido Angelo Antonio mas foi muito gostoso fazer esse filme,tambem participei com o Costinha no filme do Massaini AS historias q as nossas babas n contavam, um abraço

Estudio disse...

Roberto, qual é teu nome? Roberto Guilherme, por acaso? Me mande um email: estudioloft1@gmail.com. Abraço,

roberto disse...

MEU NOME ARTISTICO É TEOBALDO, ALEM DESSES FILMES COM O COSTINHA FIZ 3 COM O PEDRO ROVAI,'A VIUVA VIRGEM''OS MANSOS'SIDNEY MAGAL',FIZ A PRIMEIRA VERSÃO DO CORONELXLOBISOMEM DO ALCINO DINIZ,O CALHABEQUE DE OURO COM OS PANKEKAS,O HOMEM DE ITÚ DO MASSAINI-MIZIARA,EFIGINIA DÁ TUDO Q TEM DO OLIVIER PERROY,E PRODUZI UM LONGA DANI DIRIGIDO PARA AS CRIANÇAS.UM ABRAÇO

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Teobaldo, não sei se vc viu q num outro post meu, sobre OS TRÊS PATETAS, eu cito o filme dos PANKEKAS, do qual vc participou. Adoraria saber mais sobre esse grupo específico, que parece ter caído no esquecimento. Quem o inventou? Como era a relação entre os três? Como o filme se saiu nas bilheterias? Por que o programa dos PANKEKAS na TV chegou ao fim? Escreva, por favor, para um dos meus emails: filmesquesoeuvi@gmail.com ou estudioloft1@gmail.com. Obrigado,

luisgc disse...

Acho que esse filme foi a primeira vez que fui ao cinema (tinha 4 anos). Fui com minhã mãe e meus irmãos mais velhos. Ficou gravado na memória pelo seguinte fato. Lembro que no começo do filme eu já estava detestando estar perdendo uma tarde de brincadeiras (a essa altura já devia ter aturado curta metragem, canal 100, etc) e pedia insistentemente pra ir embora, até que comecei a chorar (típica criança pentelha). Coincidiu com o momento em que aparecia um monstro (não tenho certeza se era o king mong ou se tinha outro). Meu irmão e minha mãe falaram que estava com medo, o que me frustrou e me fez chorar ainda mais. Resultado: fiz todo mundo sair mais cedo.

Vivianne Cordeiro disse...

Oi Rodrigo, quem fez o gorila foi meu pai que nao atuava muito, era um cineasta mais apaixonado por montar que atuar. O nome dele era Radar. Eu tinha 4 anos na epoca mais lembro de ir pro set de filmagem e ele me assustar com o gorila mesmo sabendo que era meu pai. Um abraco! Vivianne Cordeiro

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Oi, Vivianne. Não sabia que o grande Leovigildo Cordeiro tinha interpretado o King Kong. Seu pai foi uma pessoa muito querida nos meios cinematográficos, e um montador com um sentido raro de ação. Sabe me dizer se existe cópias do filme que ele dirigiu, SETE HOMENS VIVOS OU MORTOS? Sempre tive curiosidade de assistir a essa produção. Um abraço,

Vivianne Cordeiro disse...

Poxa Rodrigo legal voce conhecer tao bem o trabalho do meu pai! Sei houveram 7 copias do filme e meu pai tinha uma mas acho que essa copia se perdeu. Tambem gostaria de assistir esse filme. Ele era mesmo um grande montador. Imagino se teria sobrevivido a edicao moderna. Fora de casa, nao existia pra ele um lugar melhor do que a moviola do Bataglin.

Rodrigo Pereira, um sujeito que gosta de cinema disse...

Vivianne, sei que aqui em São Paulo muita gente admira seu pai, tanto entre cineastas aposentados quanto entre pesquisadores como eu e meu amigo Matheus Trunk. Parabéns pelo pai que você teve. Se um dia descobrir uma cópia do filme dirigido por ele, avise-nos. Os amantes do cinema popular brasileiro ficariam muito agradecidos.

Jeová Guilherme de Carvalho Filho disse...

Eu assisti esse filme no Cinema (1985), mas jamais lembrei que fosse o costinha. Lembro do ferrugem, não sei em qual desses filmes ele aparece.

Jeová Guilherme de Carvalho Filho disse...

Você que curte filmes antigos, tem um filme que eu assisti há bastante tempo, mas não lembro o título, nem ator, só lembro que, o personagem tinha o braço cortado, e pendurado em uma parede com uma espada e ele lutava pra se vingar, e o braço continuava no lugar (só os ossos), ele fazia trabalhos de garçom (dava um murro na mesa, os objetos subiam e ele trocava a toalha).
Tem uma cena em que ele joga várias espadas para cima, e vai lutando, quando perde uma espada ele pega outra que cai. Alguém já viu esse filme, preciso saber o título.

Roberto Alves disse...

Eu também assisti o filme King Mong no cinema. Parece piada, mas é verdade. Trabalha também com o Costinha um garoto, baixinho apelidade de Ferrugem.

Lino Junior disse...

Eu vi "Costinha e o King Mong" e lembro-me dos "efeitos especiais". Procuro há anos uma cópia para que possa revê-lo. E foi assim que o Google me apresentou seu blog.
Lendo seu texto, descobri outras paródias produzidas naqueles "loucos" anos setenta. Que fim levaram estes filmes...? Enquanto vemos o Canal Brasil reapresentar incansavelmente uma meia dúzia de filmes; enquanto vemos a Cultura transmitir chanchadas cujo som é incompreensível; que fim levaram estes filmes?
Não compensaria resgata-los e difundir uma outra vertente da cinematografia nacional?
Caros não devem ser... Sem remasterização, somente digitalizados, o custo é praticamente zero. E elevaríamos os Anos 70 ao glamour imputado aos Anos 50 e suas chanchadas.

Lino Junior disse...
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